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ARTIGO

Vírus engoliu ilusão dos ricos

São nas pandemias que se descortinam os erros e fracassos do liberalismo econômico. Porque somente um Estado Social pode suportar agruras e efeitos da devastação provocada por uma tragédia sanitária. Não é a saúde privada que acalenta, nem tampouco minimiza, trata e salva; é a pública

05/04/20, 16:26
Por Miguel Dias Pinheiro, advogado, procurador aposentado e ex-professor universitário (foto)

N
unca os ricos foram tão humilhados! É perturbador assistir pedirem que o SUS funcione. É incômodo assistir afortunados serem tratados e curados pelas instituições públicas de saúde, as mesmas que tanto desejavam serem privatizadas para satisfazer a ganância da liberdade econômica. A “arapuca” criada por eles agora é humilhada pelo vírus devastador.

Slavoj Zizek, professor de Sociologia e Filosofia da Universidade de Londres, na obra “Primeiro como tragédia, depois como farsa”, diz que a pandemia vem servindo para mostrar que há gravíssimos problemas no paraíso. Principalmente no que diz respeito ao direito à saúde.

No nosso caso, a tragédia provoca para a reflexão trazida pelo art. 196, da Constituição Federal, de que “a saúde é direito de todos e dever do Estado, garantido mediante políticas sociais e econômicas que visem à redução do risco de doença e de outros agravos e ao acesso universal e igualitário às ações e serviços para sua promoção, proteção e recuperação”.

Com o vírus batendo à porta, quem desejava e/ou deseja um Estado privatizado agora reflete e, infelizmente, encontra-se aflito pela insanidade estimulada, humilhado(a) pelo vírus que veio para incendiar mentes no “salvem-se quem puder”.

O jornalista Ricardo Cappelli, em reflexivo texto, ao comparar a mobilização de governos contra o vírus, afirma que a catástrofe da pandemia parece ter engolido “liberais fanáticos”, os “ideólogos da higienização da pobreza”. Isso mesmo, aqueles que querem que se faça no Brasil uma “limpeza da pobreza”.

Diz mais: “Pouco importa se a covid-19 nasceu na China ou nos EUA. Numa favela de Mumbai ou na Rocinha carioca”. Uma coisa é certa: “A pandemia engoliu os muros da ilusão”.

Leia, uma verdadeira lição:

Nunca mais seremos os mesmos

“Da multidão dos que creram era um o coração e a alma. Ninguém considerava exclusivamente sua nem uma das coisas que possuía; tudo, porém, lhes era comum.” Atos dos Apóstolos 4, versículo 32.

Os caminhões frigoríficos que percorrem as ruas de nosso vizinho Equador estão pintados de luto. A carne que recolhem nas ruas está encharcada de dor.

A doença não espera pelo socorro. O que fazer com a pessoa amada morta dentro de casa? A decisão dilacera a alma. Atormentados pelo medo de que o vírus contamine o restante da família, nossos irmãos equatorianos colocam os cadáveres de seus entes queridos nas portas de suas residências, ao relento.

A cerimônia de despedida acontece ao fechar da porta. Uma atitude extrema de luta pela sobrevivência absolvida previamente em qualquer julgamento divino.

No mundo rico, o famoso Central Park se cobre de lonas à espera do pior. O tão cantado orgulho nacional foi substituído pela asfixia da ansiedade. A nação dos recordes conquista um feito indesejado. Quem será o próximo?

A brutalidade da ausência de valores humanitários mínimos fez o Papa Francisco protestar. A imagem de moradores de rua alocados em vagas descobertas de um estacionamento em Las Vegas é abjeta, embrulha o estômago. Onde fomos parar?

Pouco importa se a covid-19 nasceu na China ou nos EUA. Numa favela de Mumbai ou na Rocinha carioca. A pandemia engoliu os muros da ilusão. Mostrou que somos todos iguais, passageiros do mesmo avião.

A catástrofe parece ter engolido liberais fanáticos, ideólogos da higienização da pobreza. A sigla NHS – iniciais do sistema de saúde público britânico -, substituiu a bandeira nacional na terra da “Dama de Ferro” Margareth Thatcher.

Dilacerada pela perda de compatriotas, a Espanha está estatizando hospitais.

O drama desnudou os limites da integração europeia. Uma aliança monetária, fiscal e aduaneira pautada por anacrônicos postulados econômicos. Na hora de salvar vidas, instalou-se o cada um por si no velho continente. Nenhuma coordenação ou solidariedade, nada.

Milhões de desempregados e vulneráveis estão sendo socorridos pelos governos em todo o planeta. Por que não tornar permanente uma renda mínima universal? Há algum sentido em vivermos num mundo de alguns poucos bilionários cercados por milhares de miseráveis?

O sapiens se tornou a espécie dominante pela sua capacidade de acreditar e cooperar em massa em torno de abstrações, idéias e ideais comuns. Em qual ponto abandonamos nossa utopia civilizatória? Por quê?

A dor possui a estranha capacidade de nos tornar mais humanos. A pandemia parou o tempo, desafiou paradigmas e vai gerar muitas reflexões. Tudo indica que nunca mais seremos os mesmos.

Estenda a mão ao próximo. Aprenda a ignorar a ignorância dos que agridem. Seja um elo forte da corrente do bem. Abrace sua família. Não desanime. Não dê ouvidos à insensatez de um presidente tresloucado. Assim como o vírus, ele também vai passar. Fique em casa”.

Concluo eu: são nas pandemias que se descortinam os erros e fracassos do liberalismo econômico. Porque somente um Estado Social pode suportar agruras e efeitos da devastação provocada por uma tragédia sanitária. Não é a saúde privada que acalenta, nem tampouco minimiza, trata e salva; é a pública.

Fonte: JL
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